Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

"Nato is not the solution"

A intervenção já estava a terminar quando Dominique de Villepin afirmou que a Nato não é a solução para os problemas de defesa da Europa e fez a apologia de uma força comum do continente. O antigo Primeiro-ministro francês veio ao Estoril para defender a sua visão da Europa, que para ele atravessa uma grave crise. Na linha gaulista de Chirac ou De Gaulle, Villepin reafirmou que a sua visão é bastante diferente do actual Presidente Nicolas Sarkozy. Não criticou directamente o seu arqui-rival da direita francesa, mas chegou a abordar o populismo que atravessa a Europa, nomeadamente na França. A ideia com que fiquei do seu discurso é que está pronto para entrar nas presidenciais, isto se conseguir ultrapassar o Clearsteam Affair, como referiu aqui o Alexandre. Mas vai ser um osso duro de roer para Sarkozy no centro político. 

 

Villepin é um político culto e conhecedor do mundo. Ninguém discutirá isso. Estando em Portugal, falou de Fernando Pessoa, um dos seus poetas preferidos, dos Lusíadas e da epopeia dos Descobrimentos, e ainda do Terramoto de 1755 e do que significou para a época das luzes. Além disso, mostrou-se um profundo conhecedor dos problemas que o nosso país atravessa, conseguindo exemplificar tudo isso ao longo da sua intervenção. 

 

Mas este foi um discurso virado para a Europa e para o Mundo. Falou dos problemas económicos e da crise financeira que afecta o continente europeu, abordou a questão do aquecimento global, para ele um dos sintomas do falhanço global da liderança europeia e também do terrorismo e das dificuldades que existem ao seu combate. A emigração e os problemas demográficos que a Europa atravessa também foram um dos temas, e também aqui se viu uma diferença em relação a Sarkozy. Defendeu um projecto europeu único, capaz de oferecer respostas aos problemas das diferentes regiões com relações com a Europa: a leste, a Rússia e Ucrânia; a sul e a sudeste, Magrebe, Africa negra e Médio Oriente; por fim, a América Latina. Curiosamente, ou talvez não, os Estados Unidos quase não estiveram presentes, mostrando que continua como um dos políticos franceses com menores afinidades com as relações transatlânticas. A própria citação que incluo no título deste post é uma evidência disso. 

 

Foi uma mensagem crítica que culminou com a frase bastante popular, aliás uma das poucas que arrancou palmas na audiência: "os políticos europeus têm sido um desastre". A Europa está em crise, não tem liderança nem mensagem. Acredito que Villepin tem razão. Mas estava melhor quando ele teve responsabilidades directas, primeiro como ministro dos Negócios Estrangeiros e do Interior, e depois como Primeiro-ministro francês?

publicado por Nuno Gouveia às 13:09
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