Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

King Larry no Estoril

Larry King veio ao Estoril contas histórias. Ele, que entrevistou milhares de convidados, também se revelou excelente na pele de entrevistado. Numa sala repleta para ouvir o "King Larry", como lhe chamaram na audiência, revelou todas as suas qualidades que o mantiveram no ar da CNN durante mais de 25 anos. Mário Crespo cumpriu com competência a sua função de condutor da conversa. 

 

Mas não foi um jornalista na reforma que se apresentou. Ao lado do legado que apresentou, ficou também o registo de alguns projectos que ainda tem para o futuro. Já sem a plataforma da CNN, King prometeu continuar no activo, até porque, como revelou no fim da sua intervenção, o seu sonho é "to be the oldest person that ever lived". 

 

Entre histórias com o fundador da CNN, Ted Turner, e episódios com presidentes e líderes mundiais, o momento mais marcante da sua carreira terá sido com uma pessoa comum de Nova Iorque. Porque, e como se percebeu nesta intervenção, o segredo do sucesso de Larry King foi precisamente dar tanto ênfase aos famosos como ao cidadão desconhecido que ia contar a sua história ao mundo através do Larry King Live. Deu também belas lições a todos aqueles fazem da entrevista um modo de vida. Às vezes é mesmo necessário fazer-se de "burrinho", como se descreveu King em determinada altura, para saber retirar o máximo proveito do convidado. E nem sempre se consegue, como ele próprio admitiu, dando o delicioso exemplo de uma entrevista que tinha realizado à antiga mulher de Rock Hudson. 

 

O desaparecimento de King da CNN marcou também o fim numa era da comunicação social. Como referiu e bem, os dias em que jornalistas como Walter Cronkite tinham a capacidade para influenciar e mudar a opinião pública terminaram. Hoje está tudo muito mais dividido e proliferado por diversas fontes de informação. Foi durante a carreira de Larry King, e isso ele não referiu, que o jornalismo mudou radicalmente, com a entrada em cena dos canais de notícias de 24 horas e a multiplicação do jornalismo activista e ideológico. Apesar disso, King sempre conseguiu manter-se afastado dessas guerras, sendo um dos últimos representantes do jornalismo livre e independente. Até a CNN pós King, agastada pela queda abrupta das audiências em relação à Fox News à direita e à MSNBC à esquerda, entregou o seu principal horário de prime-time a um apresentador político (Eliot Spitzer, antigo governador de Nova Iorque).

 

Terá sido um dos melhores momentos das conferências até ao momento, e King não terá desiludido ninguém que assistiu. Um grande comunicador!

publicado por Nuno Gouveia às 14:03
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