Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

Académicos e investigadores olham para a Governação Global sob diferentes perspectivas

O segundo dia das Conferências do Estoril iniciou-se com um painel bastante académico, mas muito interessante e diversificado, dedicado ao tema “A Arquitectura da Governação Global”.

 

Moderado por Ricardo Costa, director do Expresso, a sessão contou com oradores provenientes de diferentes áreas de intervenção, que deram várias perspectivas sobre inúmeros problemas e desafios que afectam as relações internacionais.

 

Os desafios da governança, nomeadamente, as questões económicas e financeiras, mereceram a atenção dos intervenientes, como Sergey Karanov, Jean-Marie Guéhenno ou Daniel Drezner, tendo também Carlos Lopes, Sub-secretário Geral das Nações Unidas, exposto as suas ideias sobre aquilo que podem ser os novos paradigmas e câmaras de debate e regulação internacional.

 

E por falar em novas abordagens, Jean-Marie Guéhenno lançou uma sugestão àquelas que já foram consideradas as potências históricas, para libertarem-se de preconceitos colonialistas e começarem a olhar para África como uma terra de oportunidades, à semelhança do que já fazem os BRIC. Dentro deste registo, Fernando Jorge Cardoso lembrou as taxas elevadas de crescimento económico em muitos países africanos, algumas delas próximas dos dois dígitos. Revelou ainda que muitos dos Estados da África subsariana já têm índices médios de crescimento. 

 

Também o tema China, enquanto actor internacional cada vez mais dominante, foi um dos temas fortes do debate, com Jing Huang a explicar o que considera ser a estratégia da China para adaptar o seu estatuto de potência em crescimento substancial ao sistema internacional.

 

No âmbito da governação global, Ricardo Costa trouxe para o debate a polémica intervenção da NATO na Líbia, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, com Carlos Lopes a lembrar que apesar de eventuais erros, é importante lembrar que aquela organização continua a ser o único sítio onde todos podem falar com todos.

 

Ainda no âmbito dos tempos turbulentos que se vivem no Médio Oriente, em particular na Síria e no Irão, Daniel Drezner sublinhou que as crises revelam, em parte, a fraqueza dos países mais poderosos em fazer face a estas dinâmicas.

 

Na ressaca da morte de Osama Bin Laden, Jean-Marie Guéhenno falou ainda na relação dos taliban com a al Qaeda, sublinhando que a morte daquele terrorista contribuirá para o esbatimento de elos de ligação entre os primeiros e a organização terrorista. O mais importante neste momento, diz Guéhenno, é iniciar-se uma abordagem negocial com os vários actores daquela região, com destaque para Islamabad.

 

publicado por Alexandre Guerra às 11:31
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