Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

As Conferências do Estoril não se esgotam em três dias, já que as suas ideias devem repercutir-se no tempo

Quase uma semana após o encerramento das Conferências do Estoril 2011, com algum tempo volvido para digerir a informação apreendida, e subscrevendo o balanço feito pelo Nuno, é importante sublinhar que esta iniciativa não se esgotou nos seus três dias de existência.

 

As conferências devem repercutir-se ao longo do tempo, através da análise e do debate das ideias que se foram ouvindo durante os três dias de sessões. Aliás, tem sido essa uma das maiores virtudes de Davos e de Porto Alegre, que se prolongam para lá da sua existência física, alimentando e marcando tendências de pensamento.

 

Mas, também as Conferências do Estoril, pela sua elevada qualidade internacional, têm potencial para uma dinâmica desse tipo.

 

Será, porventura, um exercício focado no meio académico, já que, de certa maneira, é preciso agora reflectir sobre a doutrina que se foi fazendo no Estoril.

 

Neste aspecto, o Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais (IEEI), assim, como os restantes parceiros académicos, nos quais se incluem investigadores e alunos de várias universidades que tenham acompanhado os trabalhos, poderão ter um papel muito importante a desempenhar nos próximos tempos, ao descodificar aquilo que ouviram e antecipar tendências políticas, económicas, sociais e até mesmo culturais.

 

O trabalho não se esgota (nem deve) nos parceiros académicos das Conferências, porque também jornalistas, bloggers, políticos, empresários, gestores, todos aqueles que estejam interessados nestas matérias e nos grandes desafios das sociedades pós-modernas, podem reflectir e gerar conhecimento novo.

 

Quanto ao Cables from Estoril, permanecerá neste espaço, em repouso, para que os seus textos possam ser consultados, naquilo que pode ser visto como um modesto contributo para projectar no tempo algumas das ideias emanadas das Conferências do Estoril.

 

E quem sabe se, numa próxima oportunidade, poderão ser novamente enviados uns “cables” do Estoril para o resto do mundo.

 

publicado por Alexandre Guerra às 22:15
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Domingo, 8 de Maio de 2011

Um sucesso visto à distância

Escreve alguém que não esteve presente fisicamente nas Conferências do Estoril. Infelizmente não tive a possibilidade de assistir in loco às conferências, ao contrário da primeira edição. Felizmente a organização decidiu disponibilizar um streaming para pessoas como eu poderem acompanharem as conferências. Uma das vantagens do grande desenvolvimento tecnológico da actualidade é precisamente não ser necessário estar presente para se acompanhar um evento desta dimensão. Se na primeira edição, nomes como Tony Blair, Jose Maria Aznar ou Fernando Henrique Cardoso colocaram esta organização no mapa, esta segunda edição não lhe ficou nada atrás. Larry King, Howard Dean, Nouriel Roubini, Mohamed ElBaradei ou Dominique de Villepin continuaram na mesma senda de sucesso. 

 

Não tive a oportunidade de escrever aqui, mas aproveito para felicitar o Rodrigo Moita de Deus, meu camarada de armas no 31 da Armada, pela apresentação que fez na quinta-feira. Certamente que os espectadores presentes terão gostado tanto como eu. A revolução dos novos media está cada vez mais impregnada do dia a dia das pessoas e hoje todos podemos ser "revolucionários". Foi essa a principal lição da sua apresentação, e certamente todos nós, os que escrevemos em blogues ou nas redes sociais, vamos vivenciando experiências semelhantes como as que o Rodrigo destacou na sua apresentação. 

 

Pelos relatos que fui lendo, por aqui, mas também por outros espaços e pela imprensa, a organização também está de parabéns. Foi também um evento que ultrapassou largamente as suas fronteiras físicas. Durante os dias das conferências, nas redes sociais, como no Facebook e no Twitter, em diversos blogues e em muita imprensa tradicional, os temas e as personalidades que foram desfilando pelo Estoril estiveram na ordem do dia. Por fim, o vídeo que foi lançado no último dia, e que o Alexandre colocou aqui em primeira mão. Pelas reacções que já acompanhei, foi um grande enorme sucesso e até já terá ultrapassado as fronteiras das Conferências. Podemos discorrer criticamente sobre o mesmo, mas o importante é que, acima de tudo, foi um bom momento de comunicação, onde fazer sorrir era o principal objectivo. A mim chega-me isso.

 

Acredito que as Conferências do Estoril vieram para ficar e continuarão a ser no futuro um importante centro de discussão e debate dos desafios globais. A Câmara Municipal de Cascais criou uma marca importante, que só engrandece o nosso país. A continuar!

 

publicado por Nuno Gouveia às 23:07
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Conferências do Estoril confirmam novas tendências na comunicação

Os bloggers Francisco da Silva (esq.), Jorge Lopes de Carvalho (dir.) e parte do monitor do portátil deste autor mais à direita/Foto: TVI24

 

Noutros tempos, não tão longínquos assim, as grandes conferências internacionais (não as políticas, mas aquelas em que se promove o debate e a reflexão), eram motivo de romaria de jornalistas que, destacados para ali, lá ficavam os dias que fossem necessários para acompanhar os trabalhos, promover conversas de corredor, fazer entrevistas, descobrir histórias e tendências de pensamento.

 

Havia disponibilidade e vontade para isso, e os jornais investiam tempo e recursos humanos para proporcionar aos leitores as correntes de pensamento e de opinião que estariam na vanguarda.

 

As Conferências do Estoril, que terminaram na passada Sexta-feira a sua segunda edição (a primeira foi em 2009), são precisamente uma dessas iniciativas que, num espaço de três dias, reuniu no mesmo local alguma da elite intelectual, académica e até política a nível mundial.

 

No entanto, e seguindo uma tendência cada vez mais evidente, já é difícil encontrar jornalistas destacados a tempo inteiro para este tipo de iniciativas.

 

As Conferências do Estoril vieram confirmar essa realidade, tendo sido difícil encontrar jornalistas presentes nos três dias, embora se encontrasse bastante imprensa no local.

 

As contingências logísticas nas redacções e, muitas das vezes, a falta de visão e de ambição jornalística por parte das chefias tem afastado cada vez mais os jornalistas destes acontecimentos.

 

A cobertura mediática deste eventos acaba por ser seleccionada, onde na maior parte dos casos os jornalistas vão atrás das cabeças de cartaz, com entrevistas já previamente marcadas. Acabam por não captar o ambiente e deixam escapar, por vezes, outros oradores de segunda linha, nem por isso menos interessantes, e que podem oferecer novas perspectivas sobre as problemáticas da actualidade.

 

Durante o almoço de Sexta-feira, no restaurante do recinto, o autor deste poleiro falava com Francisco da Silva do Adeus Lenine e Jorge Lopes de Carvalho do Manual de maus costumes, precisamente sobre essa questão, porque este tipo de conferências, tal como acontece em Davos ou em Porto Alegre, tem uma narrativa própria e só é possível percepcionar a mensagem de forma coerente quando existe um envolvimento próximo com o evento em questão.

 

Ora, hoje em dia, muitos dos jornalistas limitam-se a dar umas saltadas ao local, de quando em quando, para entrevistar um ou outro nome já previamente definido.

 

Seguindo uma tendência inversa, e a ganhar relevância na cobertura comunicacional neste tipo de eventos, os bloggers e os “repórteres” das redes sociais são presença cada vez mais assídua e organizada. A TVI 24 escreveu sobre o assunto.

 

As próprias entidades organizadoras já reconheceram as virtudes das novas realidades comunicacionais, começando a privilegiar a presença destes novos actores da comunicação digital.

 

A organização das Conferências do Estoril percebeu isso e recebeu da melhor maneira todos os bloggers, tratando-os com um profissionalismo irrepreensível, criando todas as condições para a ajudar na divulgação da mensagem do evento.

 

Como sinal dos tempos, é interessante constatar que muito dos lugares no auditório destinados à imprensa estavam ocupados por "repórteres" dos blogues e redes sociais, com os seus computadores, incluindo aqui este autor, que em tempo real iam produzindo conteúdos sobre o que iam ouvindo.

 

publicado por Alexandre Guerra às 16:06
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

ElBaradei relembra as dificuldades na “gestão" da Revolução 25 de Abril para explicar os desafios que os egípcios têm pela frente

Mohamed ElBaradei, esta tarde, próximo do encerramento das Conferências do Estoril 2011

 

Mohamed ElBaradei, Prémio Nobel da Paz e antigo director da Agência Internacional de Energia Atómica, relembrou a Revolução 25 de Abril para dizer que, tal como aconteceu em Portugal, também no Egipto o grande desafio será o período pós-revolução.

 

Naquilo que considera ser a “gestão da revolução”, Elbaradei mostra-se cauteloso, porque está ciente das dificuldades que os egípcios têm pela frente.

 

Para o Nobel da Paz não basta “espoletar” a revolução, porque, provavelmente, o mais difícil será encontrar um caminho sólido para a democracia.

 

“As pessoas não se tornam democratas de um dia para a noite”, reconhece ElBaradei, que, no entanto, se congratula com o comportamento pacífico dos egípcios durante todo o processo de deposição do regime.

 

Regime esse que, na opinião de ElBaradei, geriu a situação de forma lamentável, tentando oprimir o movimento das ruas.

 

Para ElBaradei, um dos factores que podem ajudar o actual processo de transição tem a ver com o papel desempenhado pelo Exército, que se juntou à população, mantendo a ordem e evitando que as pessoas fossem reprimidas com violência, tal como aconteceu na Líbia.

 

publicado por Alexandre Guerra às 18:33
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Portugueses enviam mensagem aos finlandeses

 

Numa iniciativa surpresa, os portugueses aproveitaram o palco das Conferências do Estoril para enviar uma mensagem aos finlandeses. O Cables from Estoril divulga o vídeo em primeira mão.

  

publicado por Alexandre Guerra às 17:31
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"It's not time for lone riders", diz o especialista em Napoleão

Dominique de Villepin durante a sua apresentação

 

Dominique de Villepin, já referenciado nos Cables from Estoril, encerrou em grande nível as sessões desta manhã, demonstrando porque é que o seu arqui-inimigo, o Presidente Nicolas Sarkozy, tem razões para temer uma possível candidatura presidencial no próximo ano daquele especialista em Napoleão.

 

Villepin é o “diplomata” por excelência. Hábil, bem falante, uma figura irrepreensível, culto, com obra publicado, cativante e sofisticadamente maquiavélico. A tal ponto, que o autor destas linhas diria que Villepin aproveitou o palco do Estoril para ensaiar um possível discurso eleitoral, por modo a conquistar as mentes e os corações dos franceses, cada vez mais descontentes com a política.

 

Embora Villepin seja um político profissional, percebe que esta classe profissional é cada vez menos repeitada pelos cidadãos, por isso, foi com firmeza que apelou à emoção da audiência quando disse que “os políticos têm sido um desastre nestes últimos anos na Europa”.

 

O resultado foi imediato, arrancando aplausos à plateia e, quem sabe, perspectivando o tom que poderá utilizar para amealhar votos num eventual embate eleitoral em França.

 

Villepin veio ao Estoril para falar sobre os “desafios actuais da construção europeia” e não se desviou desse propósito, adoptando um registo bastante crítico ao posicionamento da Europa no mundo, sobretudo no que diz respeito à relação com África, um palco que outros países têm estado a aproveitar, tais como a China ou o Brasil.

 

“Nós somos completamente estúpidos”, disse Villepin, precisamente pelo facto de países como Portugal, França ou Itália conhecerem África como ninguém, mas não capitalizarem esse conhecimento em prol do reforço das relações entre aquele continente e a Europa.

 

Essa estupidez estende-se à forma de como os Estados europeus parecem lidar com os grandes desafios que têm pela frente, já que continuam a ter uma abordagem egoísta e isolada. Por isso avisa: “It’s not time for lone riders.”

 

publicado por Alexandre Guerra às 15:13
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"Nato is not the solution"

A intervenção já estava a terminar quando Dominique de Villepin afirmou que a Nato não é a solução para os problemas de defesa da Europa e fez a apologia de uma força comum do continente. O antigo Primeiro-ministro francês veio ao Estoril para defender a sua visão da Europa, que para ele atravessa uma grave crise. Na linha gaulista de Chirac ou De Gaulle, Villepin reafirmou que a sua visão é bastante diferente do actual Presidente Nicolas Sarkozy. Não criticou directamente o seu arqui-rival da direita francesa, mas chegou a abordar o populismo que atravessa a Europa, nomeadamente na França. A ideia com que fiquei do seu discurso é que está pronto para entrar nas presidenciais, isto se conseguir ultrapassar o Clearsteam Affair, como referiu aqui o Alexandre. Mas vai ser um osso duro de roer para Sarkozy no centro político. 

 

Villepin é um político culto e conhecedor do mundo. Ninguém discutirá isso. Estando em Portugal, falou de Fernando Pessoa, um dos seus poetas preferidos, dos Lusíadas e da epopeia dos Descobrimentos, e ainda do Terramoto de 1755 e do que significou para a época das luzes. Além disso, mostrou-se um profundo conhecedor dos problemas que o nosso país atravessa, conseguindo exemplificar tudo isso ao longo da sua intervenção. 

 

Mas este foi um discurso virado para a Europa e para o Mundo. Falou dos problemas económicos e da crise financeira que afecta o continente europeu, abordou a questão do aquecimento global, para ele um dos sintomas do falhanço global da liderança europeia e também do terrorismo e das dificuldades que existem ao seu combate. A emigração e os problemas demográficos que a Europa atravessa também foram um dos temas, e também aqui se viu uma diferença em relação a Sarkozy. Defendeu um projecto europeu único, capaz de oferecer respostas aos problemas das diferentes regiões com relações com a Europa: a leste, a Rússia e Ucrânia; a sul e a sudeste, Magrebe, Africa negra e Médio Oriente; por fim, a América Latina. Curiosamente, ou talvez não, os Estados Unidos quase não estiveram presentes, mostrando que continua como um dos políticos franceses com menores afinidades com as relações transatlânticas. A própria citação que incluo no título deste post é uma evidência disso. 

 

Foi uma mensagem crítica que culminou com a frase bastante popular, aliás uma das poucas que arrancou palmas na audiência: "os políticos europeus têm sido um desastre". A Europa está em crise, não tem liderança nem mensagem. Acredito que Villepin tem razão. Mas estava melhor quando ele teve responsabilidades directas, primeiro como ministro dos Negócios Estrangeiros e do Interior, e depois como Primeiro-ministro francês?

publicado por Nuno Gouveia às 13:09
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Para Mia Couto, as pessoas vêem em homens como bin Laden "fantamas como representação do próprio medo"

Mia Couto (esq.) acompanhado por Charles Kupchan e Figueiredo Lopes, esta manhã.

 

De forma crua e directa, uma das "fontes de medo" das sociedades europeias é a questão da imigração, disse Charles Kupchan, na sua intervenção no primeiro painel desta Sexta-feira, sobre “Ameaças Globais – Desafios para a Segurança Humana”.

 

Quando se fala de ameaças globais, Figueiredo Lopes, Presidente da EuroDefense-Portugal e antigo ministro da Defesa, não tem dúvidas, quando diz que o futuro passa pelo aprofundamento do multilateralismo. Um registo de certa forma partilhado por Alex Bennet, co-fundadora do Mountain Quest Institute e Antiga Chief Knowledge Officer da Marinha dos EUA, quando diz que só é possível ultrapassar os desafios para a segurança humana através de uma “consciencialização colectiva” da globalidade das ameaças.

 

Uma das intervenções mais originais desta sessão foi, talvez, a de Viriato Soromenho-Marques, ao relacionar a problemática ambiental com os desafios de segurança. Trata-se de uma abordagem relativamente recente em termos históricos, quando comparada com as ameaças clássicas à estabilidade do sistema internacional.

 

Para Soromenho-Marques, uma das novidades na problemática das ameaças globais tem a ver com o facto da crise ambiental alterar a “percepção” que os Estados e as pessoas têm do conceito de “segurança”.

 

A “crise ambiental afecta o próprio sistema” e não apenas elementos desse mesmo sistema, como acontece com outras ameaças clássicas, doutrinariamente falando.

 

Além do mais, a crise ambiental “tem uma dimensão de irreversibilidade, de aceleração cumulativa no tempo, de insegurança política” e uma componente psicológica.

 

Soromenho-Marques sublinhou ainda existir quem coloque em causa evidências objectivas que afectam fisicamente a atmosfera, nomeadamente, algumas correntes nos Estados Unidos. No entanto, informa que “ninguém está em condições de antecipar” a “instabilidade do ecossistema planetário.

 

Georges Landau, Presidente da Prismax Consultoria, no Brasil, focou-se mais na problemática do relacionamento entre o crescimento de países como a China e o Brasil e o consumo de recursos energéticos e alimentares. Para Landau, só através de um equilíbrio naquela equação será possível garantir a “segurança humana”.

 

Num registo diferente, mas bastante do agrado do Cables from Estoril, Mia Couto, sendo menos técnico que os restantes oradores, ofereceu uma perspectiva mais “literária” e emotiva sobre a relação que as pessoas têm com as ameaças e os seus medos. Mia Couto mostrou-se preocupado porque na maior parte das vezes essa relação não é íntima, já que as sociedades ocidentais e as pessoas evitam aprofundar as causas desses mesmos receios.

 

Dando o exemplo de Osama bin Laden, o escritor moçambicano lembrou que as pessoas vêem neste tipo de homens “fantasmas como representação do próprio medo”. No entanto, Mia Couto lamenta que pessoas não procurem ir além dessa percepção superficial, ou seja, não tentem conhecer as razões que estão por detrás de determinados comportamentos que ameaçam globalmente o mundo.

 

publicado por Alexandre Guerra às 11:48
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

ElBaradei encerra as conferências

Mohamed ElBaradei encerra amanhã as conferências, mas já suscitou várias notícias com a declarações de imprensa hoje. Poucos assuntos serão tão prementes com a revolução egípcia e o Médio Oriente, o tema da sua intervenção amanhã. Baradei disse hoje que será candidato às próximas eleições presidenciais no seu país, o que não constituí uma novidade. Tendo sido um rostos da revolução, é uma das vozes preferidas da imprensa ocidental, mas não tenhamos ilusões. Terá muitas dificuldades em ser eleito e o país é ameaçado pela possibilidade de organizações radicais assumirem o poder. Será certamente um dos pontos altos das conferências. 

 

Para seguir em directo amanhã aqui às 17h30. 

publicado por Nuno Gouveia às 23:45
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King Larry no Estoril

Larry King veio ao Estoril contas histórias. Ele, que entrevistou milhares de convidados, também se revelou excelente na pele de entrevistado. Numa sala repleta para ouvir o "King Larry", como lhe chamaram na audiência, revelou todas as suas qualidades que o mantiveram no ar da CNN durante mais de 25 anos. Mário Crespo cumpriu com competência a sua função de condutor da conversa. 

 

Mas não foi um jornalista na reforma que se apresentou. Ao lado do legado que apresentou, ficou também o registo de alguns projectos que ainda tem para o futuro. Já sem a plataforma da CNN, King prometeu continuar no activo, até porque, como revelou no fim da sua intervenção, o seu sonho é "to be the oldest person that ever lived". 

 

Entre histórias com o fundador da CNN, Ted Turner, e episódios com presidentes e líderes mundiais, o momento mais marcante da sua carreira terá sido com uma pessoa comum de Nova Iorque. Porque, e como se percebeu nesta intervenção, o segredo do sucesso de Larry King foi precisamente dar tanto ênfase aos famosos como ao cidadão desconhecido que ia contar a sua história ao mundo através do Larry King Live. Deu também belas lições a todos aqueles fazem da entrevista um modo de vida. Às vezes é mesmo necessário fazer-se de "burrinho", como se descreveu King em determinada altura, para saber retirar o máximo proveito do convidado. E nem sempre se consegue, como ele próprio admitiu, dando o delicioso exemplo de uma entrevista que tinha realizado à antiga mulher de Rock Hudson. 

 

O desaparecimento de King da CNN marcou também o fim numa era da comunicação social. Como referiu e bem, os dias em que jornalistas como Walter Cronkite tinham a capacidade para influenciar e mudar a opinião pública terminaram. Hoje está tudo muito mais dividido e proliferado por diversas fontes de informação. Foi durante a carreira de Larry King, e isso ele não referiu, que o jornalismo mudou radicalmente, com a entrada em cena dos canais de notícias de 24 horas e a multiplicação do jornalismo activista e ideológico. Apesar disso, King sempre conseguiu manter-se afastado dessas guerras, sendo um dos últimos representantes do jornalismo livre e independente. Até a CNN pós King, agastada pela queda abrupta das audiências em relação à Fox News à direita e à MSNBC à esquerda, entregou o seu principal horário de prime-time a um apresentador político (Eliot Spitzer, antigo governador de Nova Iorque).

 

Terá sido um dos melhores momentos das conferências até ao momento, e King não terá desiludido ninguém que assistiu. Um grande comunicador!

publicado por Nuno Gouveia às 14:03
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