Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Agradecimento à organização das Conferências do Estoril

Agora que dou por terminados os posts sobre o que vi e ouvi na passada Sexta-feira, dia 3 de Maio, último dia das Conferências do Estoril 2013, permitam-me agradecer à organização destas o simpático convite que me foi endereçado e dar os parabéns à mesma pela excelente organização deste evento de referência nacional e internacional. Da minha parte, tendo entendido que era uma espécie de serviço público informativo o que me competia fazer, tentei apenas relatar de forma o mais fidedigna e completa possível o que vi e ouvi, evitando entrar em grandes considerações ou adjectivações sobre as ideias avançadas pelos diversos oradores, como os leitores que habitualmente me seguem terão decerto notado. Os posts sobre os quatro painéis a que assisti foram publicados tanto no Estado Sentido como no Cables from Estoril. Aqui ficam os links para os mesmos:

 

"Global Dialogue – Globalisation and the Challenges for Democracy" - Estado Sentido. Cables from Estoril.

 

"Human Security" - Estado Sentido. Cables from Estoril.

 

"Global Governance" - Estado Sentido. Cables from Estoril.

 

"Political Leadership and Globalization" - Estado Sentido. Cables from Estoril.

publicado por Samuel de Paiva Pires às 20:53
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“Political Leadership and Globalization”

 

O último painel das Conferências do Estoril 2013, introduzido por László Cebrian, da Fundação Cascais, terá sido dos que contou com mais audiência, e não era para menos, tendo em consideração os intervenientes de peso: Viktor Orbán, o Primeiro-Ministro da Hungria que levou a cabo a revisão da Constituição que muita polémica tem alimentado, e Frederik de Klerk, antigo Presidente da África do Sul, peça essencial no processo que levou ao fim do apartheid e Prémio Nobel da Paz em 1993.

 

O discurso inicial de Orbán foi curto, incisivo e sistematizado, baseando-se na partilha de seis teses/ideias:

 

1 – A dívida de todos os países da União Europeia totaliza 11 triliões de euros. Os 17 países da zona euro geram 1,8 biliões de euros de dívida todos os dias, o que significa 400 biliões de euros de dívida por ano, e isto para poder continuar a financiar em larga medida as despesas com o chamado Estado Social. A estrutura financeira europeia é insustentável e estamos a sofrer crescentes pressões em virtude dos desafios demográficos, pelo que a Europa corre o risco de não se conseguir manter sequer biologicamente.

 

2 – Apesar de esforços significativos, os líderes europeus não têm sido capazes de alterar este cenário porque a sua resolução implica grandes riscos que podem levar a uma insustentável instabilidade social. O conceito de Estado Social como o conhecemos acabou. Para superar este modelo assente em dívida devemos construir um workforce state e substituir os direitos adquiridos pelo mérito. Apontando as reformas na Hungria como exemplares a este respeito, Orbán salientou a substituição de um sistema fiscal complexo e confuso por um baseado numa flat tax e a reestruturação do sistema educacional que veio dar particular relevo ao ensino vocacional, procurado adequar o ensino ao mercado de trabalho.

 

3 – Existe uma dicotomia entre liderança institucional e liderança pessoal. A União Europeia é baseada na primeira. Estes dois tipos de liderança devem ser equilibrados. Se houver um problema quanto à primeira, pode ocorrer instabilidade, e neste caso será necessário que existam fortes líderes pessoais, visto que as instituições não serão suficientes para superar a crise. Os problemas causados pelo desequilíbrio entre os dois tipos de liderança podem resultar em crises graves.

 

4 – A mudança de valores na Europa está relacionada com a crise. O mainstream na União Europeia postula que o reforço das identidades nacionais aumenta as possibilidades de conflitos. Uma das conclusões principais da crise é que este é um entendimento errado. Uma Europa forte só o pode ser com base em nações fortes. Relembrando Robert Schuman, ou a Europa é cristã ou não haverá Europa.

 

5 – É necessário aumentar a cooperação entre os países fora da zona euro, que devem poder implementar as políticas fiscais que desejem e harmonizar-se entre si.

 

6 – Depois da crise nada será como antes, mas apesar do nosso esforço, a recuperação será um procedimento muito moroso. Foi um erro histórico os países da antiga órbita não terem entrado logo na União Europeia no início dos anos 90, visto que a União teria aproveitado nessa altura o potencial de crescimento daqueles países e hoje enfrentaria a crise em melhor posição. O alargamento aos Balcãs deve ser uma prioridade para a União Europeia.

 

No período de debate, que foi bastante vivo e interessante, Orbán assinalou também que esta é a maior crise que viu na sua carreira política, que é preciso envolver as pessoas para a resolver, o que implica tratar os sentimentos negativos que perpassam grande parte da Europa. Salientando que a Hungria e Portugal enfrentam desafios semelhantes, o Primeiro-Ministro húngaro afirmou que ao criar-se uma moeda comum, quando a crise surge não se pode parar o processo de integração, pelo que há que enveredar por uma política fiscal comum. Isto revela o quão importante para o nosso futuro foi a decisão portuguesa de aderir ao euro, pois não podemos sair desta, não podemos desvalorizar a moeda e temos de aumentar a competitividade sem possuirmos uma série de instrumentos que muito o facilitariam, pelo que a única opção acaba por ser seguir em frente e tentar usufruir das hipóteses criadas pela zona euro. A lição a retirar das situações de Portugal e Espanha é a de que quando os países se juntam ao euro e não são suficientemente desenvolvidos, mais cedo ou mais tarde vão sofrer. Por isto mesmo, para Orbán a Hungria não deverá aderir ao euro sem ter no mínimo um PIB de 90 por cento da média europeia. Mas por ora os países que não fazem parte da zona euro devem ter mais espaço de manobra para criar as suas próprias políticas económicas e fiscais, o que tem sido constantemente negado pela Comissão Europeia.

 

Questionado a respeito das iniciativas que estão a ser tomadas para combater a xenofobia e o racismo na Hungria, o antigo combatente contra a hegemonia soviética respondeu que apenas conhece uma política efectiva, a tolerância zero, e que o conceito de dignidade humana é uma peça angular da Constituição e do sistema legal do seu país, embora tenham ido mais longe que os restantes países Europeus ao considerarem que para além da dignidade humana individual existe também a dignidade humana das comunidades. Isto significa que na Hungria se pode exigir legalmente a reparação em relação a uma ofensa à dignidade humana por ser pertencer a uma comunidade. Ademais, também que para evitar o extremismo à direita é necessário que exista um centro-direita cívico e cristão.

 

Destaque ainda para um momento que gelou a sala, mas permitiu vislumbrar a craveira de estadista convicto que muitos reconhecem a Orbán, quando alguém lhe perguntou, de forma muito pouco diplomática, qual o seu problema com homossexuais e pessoas sem-abrigo. Resposta do Primeiro-Ministro húngaro: "O meu problema com pessoas sem-abrigo é que não têm casa. A Constituição da Hungria obriga a que procurem abrigo, e em resultado disto temos um elevado número de abrigos públicos e um reduzido número de pessoas sem-abrigo. Quanto a homossexuais, não percebo a questão, mas se pensa que existe algum sentimento negativo contra estes, permita-me apenas salientar que a Constituição afirma simplesmente que o casamento é entre um homem e uma mulher, e esta é uma tradição com milénios de que nos orgulhamos e que quisemos inscrever na nossa Constituição. É algo único na Europa." Posteriormente mencionou ainda que o mainstream do pensamento político europeu vislumbra um progresso na transição da vida cristã para a secular, dos sentimentos nacionais para as comunidades internacionais e de valores familiares para algo misto e o que se fez na Hungria foi recuperar e sublinhar a importância dos valores tradicionais da família como o núcleo mais importante da sociedade e um nacionalismo saudável. "Somos uma nação orgulhosa e queremos manter a nossa identidade, mesmo fazendo parte da União Europeia", concluiu Orbán, que deixaria ainda como mensagem aos jovens presentes a necessidade de cada um definir os seus objectivos de vida e lutar por estes, pela sua visão do mundo e pela Europa em que acredita.

 

No que concerne à intervenção de Frederik de Klerk, em minha opinião não tão interessante como a de Orbán e mais permeada por um certo tom diplomático, consubstanciou-se numa passagem em revista da História da África do Sul e no seu testemunho sobre o fim do apartheid. O antigo Presidente da África do Sul salientou que o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética tiveram um impacto crucial no processo de transformação do seu país, levando todas as partes envolvidas a perceber que não podia haver uma revolução ou uma solução armada para os problemas que enfrentavam, restando sentarem-se à mesa das negociações e alcançarem um entendimento.

 

Adepto do Consenso de Washington, não deixou de assinalar que a África do Sul nada teve a ver com os factores que conduziram à crise financeira de 2008, mas esta teve um impacto negativo na África do Sul ao sabotar a causa do mercado livre e da disciplina fiscal, reforçando os que acreditam na propriedade pública e numa grande dimensão de intervenção estatal.

 

Frederik de Klerk declarou também que os líderes políticos têm grandes responsabilidades por deverem ter a habilidade e a capacidade de melhorar as vidas dos cidadãos, embora frequentemente os levem por um sentido completamente errado, que há uma premente necessidade de cooperação que possa dar resposta a problemas globais, e a respeito da União Europeia afirmou que esta lhe parece "um híbrido entre uma federação e uma confederação, um híbrido que não pode ter sucesso."

 

A concluir, destaque ainda para a resposta do laureado com o Prémio Nobel da Paz em 1993 a respeito da possibilidade de um novo conflito racial após a morte de Nelson Mandela: "O apartheid morreu, não será revivido na África do Sul. Acredito que o maior legado de Mandela foi o seu compromisso com a reconciliação entre todos para que sejam cidadãos com os mesmos direitos. Acredito que quando ele morrer, este legado unirá todos os sul-africanos no luto por um dos maiores sul-africanos de todos os tempos."

publicado por Samuel de Paiva Pires às 17:22
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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

“Global Governance”

 

O painel que deu início à última tarde das Conferências do Estoril 2013 teve a participação de Lívia Franco, da Universidade Católica Portuguesa, João Marques de Almeida, antigo director do Global Dialogue do Gabinete de Conselheiros de Política Europeia, Kolinda Grabar Kitarovic, Secretária-Geral Adjunta para a Diplomacia Pública da NATO, e Stanlake Samkange, Director da Divisão de Política, Programação e Inovação do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, que se debruçaram sobre a temática da governança global num painel moderado por Eusebio Mujal-León, da Universidade de Georgetown.

 

A título introdutório, o moderador assinalou que nos encontramos numa era de transição para uma grande incerteza no que concerne à representação e representatividade das instituições, estando a legitimidade destas em causa, pelo que importa renová-las aos vários níveis, local, nacional e internacional, visto que que há problemas que requerem respostas técnicas, mas que são fundamentalmente políticos e necessitam, portanto, que os abordemos com a perspectiva de reforçar o poder de decisão dos cidadãos.

 

Lívia Franco iniciou a sua reflexão salientando que vivemos num mundo dominado por problemas transnacionais que extravasam a capacidade de os estados singularmente entendidos os resolverem e em que há um fosso crescente entre os fins almejados pelas organizações internacionais e os meios ao seu dispor, ou seja, uma grande distância entre a procura e a oferta de governança global. A docente da Universidade Católica sublinhou também que estes dois factos são expectáveis, visto que vivemos num mundo de rápidas mudanças que ninguém controla, pelo que a referida distância não é uma anomalia, antes representa uma reacção orgânica a uma pressão sobre o sistema internacional advinda das mudanças geopolíticas e tecnológicas. Todavia, a governança global aumentou a qualidade de vida de milhões de pessoas, é responsável pela existência de normas internacionais numa miríade de assuntos e a vida quotidiana é hoje mais fácil em virtude disto mesmo. Lívia Franco sugeriu ainda o encerramento de instituições internacionais que já não respondem às problemáticas contemporâneas e a transformação das organizações existentes, essencialmente reformando as suas regras internas para permitir o surgimento de um novo multilateralismo baseado no networking entre as diversas organizações.

 

Começando por discordar frontalmente de Lívia Franco, João Marques de Almeida declarou-se um céptico em relação à governança global precisamente em virtude da sua experiência profissional em Bruxelas, considerando que a União Europeia tem o objectivo irrealista de salvar toda a gente, de salvar o planeta, sublinhando por várias vezes que está na altura de a Europa se ajudar a si própria, de ajudar os seus cidadãos, e questionando como é possível que em face da maior crise desde a II Guerra Mundial a União Europeia continue a ajudar monetariamente países como o Brasil, Índia ou China, embora não tenha deixado de assinalar que há países que devem continuar a ser ajudados pela Europa, especialmente em África. Com um pendor marcadamente realista no que à Teoria das Relações Internacionais diz respeito, Marques de Almeida apontou como uma das possíveis soluções para a crise uma política muito dinâmica e agressiva de comércio internacional, que permita aumentar significativamente as exportações, desejando, por último, que as negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos da América para a criação de um mercado transatlântico de bens e serviços sejam bem sucedidas.

 

Lívia Franco e João Marques de Almeida protagonizaram um animado debate em que estiveram em confronto as perspectivas idealista e realista sobre as Relações Internacionais, com a primeira a mostrar-se favorável ao já referido novo multilateralismo e o segundo a afirmar que a governança global e a política internacional em geral são, no fundo, acerca do poder, tal como os mercados, pelo que não admira que a competição pelo poder esteja a aumentar em todo o lado, inclusive na própria União Europeia – daí que Marques de Almeida tenha questionado “Como podem os europeus falar em governança global quando ainda estamos a lutar pela governança europeia?”

 

A Secretária-Geral Adjunta para a Diplomacia Pública da NATO, por seu turno, defendeu a Aliança Atlântica não só como uma organização de segurança e defesa, mas também como uma aliança de valores que visa promover o bem-estar e a cooperação económica. “A NATO foi formada para defender a nossa liberdade pessoal, económica e política”, afirmou Kolinda Grabar Kitarovic. De seguida, observou que o mundo ainda está a recuperar da crise económica, estando a pobreza e o nível populacional a aumentar, o que coloca grandes pressões sobre os mercados de trabalho e, por isto mesmo, a NATO actualmente olha para a segurança não apenas com uma perspectiva tradicional, mas com uma perspectiva holística, preocupando-se com conflitos dentro de estados entre actores não estatais, ciber-segurança, terrorismo, crime organizado, epidemias, degradação ambiental e desafios globais que só podem ser resolvidos pela acção colectiva. Foi isto mesmo que levou a NATO a adoptar a chamada comprehensive approach, que a ONU chama integrated approach. Trata-se de uma abordagem militar e civil que reúne contribuições de toda a comunidade internacional, procurando que diversos tipos de actores trabalhem em conjunto de forma totalmente coordenada. Kolinda Grabar Kitarovic reforçou ainda que é urgente uma maior coordenação e cooperação entre as organizações internacionais e que a segurança necessita de envolver cada vez mais os cidadãos, que os indivíduos têm um papel maior a desempenhar, o que requer uma comunicação de qualidade que não confunda o público.

 

A terminar o painel esteve Stanlake Samkange, que procurou evidenciar como a segurança alimentar é essencial para a governança global, embora não tenha deixado de perguntar se aquela estará no centro das preocupações desta. Curiosamente, foi o último orador quem se pronunciou brevemente sobre o conceito de governança global, afirmando que não se trata de ter um governo global (algo que em muitos casos nem a nível nacional funciona bem, quanto mais a nível internacional), mas sim coordenação e a capacidade de enfrentar problemas comuns, o que se constitui como um trabalho muito difícil mas permite alcançar consensos importantes. O Director da Divisão de Política, Programação e Inovação do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas deixou à audiência alguns números que permitem perspectivar os problemas enfrentados: anualmente, o Programa Alimentar Mundial tem um orçamento de cerca de 4 milhões de dólares e ajuda cerca de 90 milhões de pessoas, existindo 870 milhões de pessoas em todo o mundo que não têm segurança alimentar – o que implica quatro dimensões, disponibilidade, acesso, utilização e estabilidade. Com o aumento populacional que se prevê para as próximas décadas, poderemos assistir a um aumento considerável dos preços dos alimentos, o que agravará significativamente o problema. Stanlake Samkange crê que a governança global poderá permitir enfrentá-lo adequadamente, mas assinalou que os mecanismos existentes precisam de ser melhorados e as organizações reformadas, o que depende em larga medida da vontade política, não deixando também de afirmar que os mercados são importantíssimos e essenciais para promover a segurança alimentar, embora seja necessário tornar a competição mais salutar através da eliminação de subsídios que distorcem o funcionamento dos mercados.

publicado por Samuel de Paiva Pires às 19:15
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"Human Security"

 

Presidido por Reuven Amitai, Reitor da Faculdade de Humanidades da Universidade Hebraica de Jerusalém, o segundo painel desta manhã, que abordou a temática da Segurança Humana, contou com a participação de Luís Fraga, Presidente do World Stability Observatory e antigo Senador espanhol, Gabriele Jacobs, directora do Composite Project na Erasmus University, Helena Rego, do Sistema de Informações da República Portuguesa, António Rebelo de Sousa, Vice-Presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, e Mariana Van Zeller, jornalista da National Geographic.

 

Luís Fraga começou por salientar que não é um académico, desta forma evitando entrar numa discussão de teor conceptual, preferindo falar um pouco da sua experiência pessoal ao nível de conflitos em países como a Colômbia e El Salvador, tendo transmitido como mensagem principal a necessidade de existirem elites políticas de boa qualidade que possam realmente preocupar-se em minorar desigualdades sociais, fomentar uma sociedade civil forte e resolver problemas reais dos cidadãos. Sublinhou ainda que a política internacional mudou, já não é apenas relativa a parlamentos e governos nacionais, dizendo respeito a uma multitude de actores e níveis de actuação e governação, o que faz da Segurança Humana um assunto a ser tratado globalmente, mas nestes diversos níveis (local, nacional, regional, internacional), embora tenha deixado no ar duas questões: I) terá a global governance preocupações com a segurança humana;  ii) será que a ONU terá realmente força suficiente para responder a todas as situações?

 

Gabriele Jacobs, ao contrário do orador anterior, é uma académica que não tem a mesma experiência de terreno do antigo Senador espanhol. É uma psicóloga organizacional que trabalha questões relativas às forças policiais, procurando compreender cada força no seu contexto social específico e envolver políticos e académicos em debates em que procura entender quais as práticas que funcionam em cada país. Partilhou com a audiência as duas lições principais que retira do seu trabalho: i) o crime é internacional mas o policiamento não é, não deixando de ser surpreendente o pouco conhecimento e os preconceitos que polícias de diferentes países têm umas sobre as outras, pelo que há pouca partilha de informação e dar informação à Interpol ainda parece algo exótico; ii) o discurso público sobre a segurança está largamente desligado do que muitos especialistas consideram como prioritário, sendo a ameaça de terrorismo sobrevalorizada pela opinião pública que simultaneamente subvaloriza outros tipos de criminalidade mais comuns e frequentes.

 

Talvez contrariando um pouco esta segunda lição de Jacobs, Helena Rego principiou a sua intervenção sublinhando que qualquer um pode ser terrorista e que vivemos num mundo muito complexo em que precisamos de soluções e raramente temos tempo para parar e tentar perceber o que se passa à nossa volta. Para além de tendermos a ver o mundo pela lente do etnocentrismo, frequentemente incorremos no erro de o analisar a partir de pequenas partes, fruto em larga medida da compartimentação disciplinar e da especialização que nos impede muitas vezes de ver a bigger picture, para além de vivermos inundados por informação, o que contribui para uma certa desorientação, pelo que é necessário dar relevo à partilha de informação e ao papel dos indivíduos na produção e manutenção de segurança.

 

António Rebelo de Sousa foi talvez o orador com a apresentação mais sistematizada. Procurando ligar a segurança humana à teoria da relatividade económica e aos problemas sistémicos que o mundo enfrenta, elaborou sobre o conceito de segurança humana como resultando da convergência entre segurança tradicional, política, económica, ambiental, alimentar, pessoal e a nível de saúde e da comunidade, argumentando que todas em conjunto têm influência no bem-estar e no Índice de Desenvolvimento Humano. Dizendo-se crente numa Quarta Revolução Industrial, baseada nos sectores da saúde e da energia, Rebelo de Sousa acredita num aumento da esperança média de vida, decréscimo de preços e crescimento económico gerador de mais emprego. Por último, referiu ainda a necessidade de as democracias ocidentes complementarem as estratégias de soft defence com hard defence como forma de evitar um conflito generalizado.

 

A última oradora deste painel, Mariana Van Zeller, relatou a sua experiência na Nigéria, onde observou as condições de vida abaixo do limiar da dignidade humana que atingem muitos nigerianos que vivem lado a lado com luxuosos complexos turísticos.

 

Destaque ainda para o período de debate em que António Rebelo de Sousa e Luís Fraga consideraram que estratégias de segurança nacionais são essenciais e compatíveis com estratégias de cariz global, embora não exista uma instituição global que possa gizar uma estratégia à escala mundial. Mariana Van Zeller afirmou ainda que vivemos num mundo mais seguro apesar de termos a percepção que não, afirmando que se algo aparece nos jornais, não precisamos de o recear, pois à partida será uma anomalia. Gabriel Jacobs concluiu a manhã afirmando que este tempo de social media que vivemos permite-nos ter muito mais possibilidades de controlar e fiscalizar os governos e a acção política.

publicado por Samuel de Paiva Pires às 16:46
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

“Global Dialogue – Globalisation and the Challenges for Democracy”

 

(fotografia cortesia da Organização das Conferências do Estoril)

 

Num painel presidido por João Carlos Espada, Anthony Giddens, teorizador da célebre Terceira via, e Jorge Sampaio, ex-presidente da República, deram início aos trabalhos do último dia das Conferências do Estoril.

 

O sociólogo britânico começou por salientar que nunca viveu uma época tão difícil de compreender, dando como exemplo ilustrativo desta problemática um artigo que leu recentemente sobre uma reunião de economistas do FMI que afirmam já não conseguir compreender a economia mundial, resumindo-se a perspectivar que tudo será diferente dos últimos 20 ou 30 anos, sendo por isso necessário, segundo Giddens, um grande esforço de reconstrução intelectual em todas as áreas.

 

Giddens classificou-se como um forte pró-europeu, o que talvez explique uma afirmação no mínimo discutível, para não dizer claramente errada: "ninguém cometa o erro de culpar a União Europeia e o euro pelos desafios que enfrentamos, porque senão não vamos encontrar solução viável."

 

Procurando tratar também as implicações políticas da crise económica, Giddens assinalou que estamos a entrar numa nova fase de transformação, em que as expectativas optimistas quanto às alegadas Quarta e Quinta Vagas de Democratização (América Latina, África e partes da Ásia no primeiro caso, e Primavera Árabe no segundo), saíram goradas, e até mesmo na Europa e nos EUA existem diversos problemas em virtude de divisionismos vários que têm fomentado a emergência de movimentos populistas e extremistas como o Tea Party nos EUA ou o UKIP no Reino Unido. Aliás, o académico que serviu de inspiração à acção política de Tony Blair mencionou várias vezes o UKIP, revelando uma certa preocupação com os resultados eleitorais da noite passada e a assunção de um papel político de relevo pelo partido de Nigel Farage.

 

Outro dos principais problemas apontado não apenas por Giddens, mas também por Jorge Sampaio, é a falta de liderança política no mundo Ocidental, que em conjunto com a reduzida accountability, ou seja, a responsabilização dos líderes políticos perante os eleitores, e a crescente utilização dos social media pelos cidadãos produz desafios que ainda ninguém consegue vislumbrar muito bem como ultrapassar. O antigo director da London School of Economics terminou a sua intervenção clamando por que os europeus olhem em conjunto para estes desafios e adaptem as instituições democráticas tradicionais, complementando-as com uma maior participação política e fiscalização por parte dos eleitores.

 

Em relação a este mesmo assunto, o ex-presidente da República considerou, por seu lado, que não há neste momento substituto para as instituições democráticas tradicionais, que temos de reformar as que temos, modernizando-as com inputs que vêm da sociedade, afirmando que esta é a única forma de dar esperança às pessoas e de impedir que se sintam atraídas por ideologias simplificadas. Para este efeito, salientou que os parlamentos necessitam de ter maior relevância e reestruturar a ligação à sociedade e que urge também tentar envolver as universidades, think-tanks, instituições da sociedade civil e indivíduos no mundo político, para evitar o processo de distanciação e desconexão da realidade a que este está cada vez mais sujeito.

 

Na sua intervenção, o histórico líder socialista centrou-se essencialmente na União Europeia, colocando cinco questões/temas em cima da mesa. Primeiro, começou por perguntar que Europa é esta que mostra não fazer nada em relação precisamente à transformação das democracias, instituições, políticas e processos de decisão em face de uma crise que está a atirar milhões de indivíduos para o flagelo do desemprego, fazendo perigar a muito necessária coesão social, não deixando de mostrar a sua veia socialista ao proferir o lugar-comum, também no mínimo discutível, de que os últimos 30 anos de políticas de desregulação são os principais responsáveis pela crise. De seguida associou a ascensão de movimentos populistas à perda de confiança nas instituições europeias, reclamando que este é o momento para reconstruir o contrato social que fundamenta a União Europeia, o que necessitaria de uma liderança digna dessa qualificação. Em complemento a este ponto, referiu também a necessidade de requalificar as democracias nacionais, precisamente no sentido de envolver os cidadãos na construção da polis, para que se interessem pela política e a compreendam como absolutamente necessária para responder a problemas reais e às aspirações das populações. Em quarto lugar, Jorge Sampaio referiu-se ao papel dos media, não só os tradicionais, em relação aos quais afirmou que moldam as percepções públicas sobre os mais variados assuntos e devem também ser fiscalizados e responsabilizados, mas também em relação aos social media, um dos temas que esteve em foco esta manhã, dando relevo ao papel destes na Primavera Árabe e na forma como os jovens se organizam e dão voz às suas reivindicações. Por último, o ex-Alto Representante da Aliança das Civilizações clamou ainda por novos fora de governança global com vários níveis e actores nacionais, internacionais, europeus, regionais e locais que possam elaborar melhores políticas de regulação, e terminou o seu discurso afirmando que se os cidadãos não participarem politicamente, desde o nível local até outros níveis e eleições, e isto tendo em consideração que temos de lidar com uma grande decepção em termos de liderança e soluções para os problemas dos cidadãos, não vamos conseguir enfrentar os problemas que vivemos, salientando ainda que "se a União Europeia significa alguma coisa, e claro que significa responsabilidade, não tem de significar uma espécie de liquidação da sociedade."

 

A finalizar o debate, destaque ainda para as afirmações de Anthony Giddens a respeito da crise do euro e do papel do Reino Unido na União Europeia. Embora se sinta desconfortável com a situação, crê que só há uma saída possível para a crise, o federalismo, já que acabar com a moeda única seria não só extremamente difícil como implicaria um cenário que ninguém sabe muito bem como seria, mas em que a Europa perderia relevância na arena internacional e o sistema financeiro tornar-se-ia demasiado instável. "Acho que o futuro da Europa depende da manutenção do Euro, apesar de não estar muito feliz com esta situação. Se o Euro colapsar, estaremos em terreno muito difícil. Se sobreviver, poderemos assistir a um renovar do apoio à União Europeia", disse. Por último, afirmou também que "É possível que o Reino Unido se retire da União Europeia, mas não creio que seja muito provável. Defendo que haja um referendo não só quanto à manutenção do Reino Unido na União Europeia, mas também quanto à adesão ao Euro." 

publicado por Samuel de Paiva Pires às 15:05
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Lord Giddens: O futuro da Europa depende do euro

"O futuro da Europa depende do euro. Se houver um colapso ou retrocesso, o comboio corre o risco de descarrilar".

Lord Anthony Giddens, hoje nas Conferências do Estoril



publicado por Alda Telles às 12:45
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

As Conferências do Estoril não se esgotam em três dias, já que as suas ideias devem repercutir-se no tempo

Quase uma semana após o encerramento das Conferências do Estoril 2011, com algum tempo volvido para digerir a informação apreendida, e subscrevendo o balanço feito pelo Nuno, é importante sublinhar que esta iniciativa não se esgotou nos seus três dias de existência.

 

As conferências devem repercutir-se ao longo do tempo, através da análise e do debate das ideias que se foram ouvindo durante os três dias de sessões. Aliás, tem sido essa uma das maiores virtudes de Davos e de Porto Alegre, que se prolongam para lá da sua existência física, alimentando e marcando tendências de pensamento.

 

Mas, também as Conferências do Estoril, pela sua elevada qualidade internacional, têm potencial para uma dinâmica desse tipo.

 

Será, porventura, um exercício focado no meio académico, já que, de certa maneira, é preciso agora reflectir sobre a doutrina que se foi fazendo no Estoril.

 

Neste aspecto, o Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais (IEEI), assim, como os restantes parceiros académicos, nos quais se incluem investigadores e alunos de várias universidades que tenham acompanhado os trabalhos, poderão ter um papel muito importante a desempenhar nos próximos tempos, ao descodificar aquilo que ouviram e antecipar tendências políticas, económicas, sociais e até mesmo culturais.

 

O trabalho não se esgota (nem deve) nos parceiros académicos das Conferências, porque também jornalistas, bloggers, políticos, empresários, gestores, todos aqueles que estejam interessados nestas matérias e nos grandes desafios das sociedades pós-modernas, podem reflectir e gerar conhecimento novo.

 

Quanto ao Cables from Estoril, permanecerá neste espaço, em repouso, para que os seus textos possam ser consultados, naquilo que pode ser visto como um modesto contributo para projectar no tempo algumas das ideias emanadas das Conferências do Estoril.

 

E quem sabe se, numa próxima oportunidade, poderão ser novamente enviados uns “cables” do Estoril para o resto do mundo.

 

publicado por Alexandre Guerra às 22:15
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Domingo, 8 de Maio de 2011

Um sucesso visto à distância

Escreve alguém que não esteve presente fisicamente nas Conferências do Estoril. Infelizmente não tive a possibilidade de assistir in loco às conferências, ao contrário da primeira edição. Felizmente a organização decidiu disponibilizar um streaming para pessoas como eu poderem acompanharem as conferências. Uma das vantagens do grande desenvolvimento tecnológico da actualidade é precisamente não ser necessário estar presente para se acompanhar um evento desta dimensão. Se na primeira edição, nomes como Tony Blair, Jose Maria Aznar ou Fernando Henrique Cardoso colocaram esta organização no mapa, esta segunda edição não lhe ficou nada atrás. Larry King, Howard Dean, Nouriel Roubini, Mohamed ElBaradei ou Dominique de Villepin continuaram na mesma senda de sucesso. 

 

Não tive a oportunidade de escrever aqui, mas aproveito para felicitar o Rodrigo Moita de Deus, meu camarada de armas no 31 da Armada, pela apresentação que fez na quinta-feira. Certamente que os espectadores presentes terão gostado tanto como eu. A revolução dos novos media está cada vez mais impregnada do dia a dia das pessoas e hoje todos podemos ser "revolucionários". Foi essa a principal lição da sua apresentação, e certamente todos nós, os que escrevemos em blogues ou nas redes sociais, vamos vivenciando experiências semelhantes como as que o Rodrigo destacou na sua apresentação. 

 

Pelos relatos que fui lendo, por aqui, mas também por outros espaços e pela imprensa, a organização também está de parabéns. Foi também um evento que ultrapassou largamente as suas fronteiras físicas. Durante os dias das conferências, nas redes sociais, como no Facebook e no Twitter, em diversos blogues e em muita imprensa tradicional, os temas e as personalidades que foram desfilando pelo Estoril estiveram na ordem do dia. Por fim, o vídeo que foi lançado no último dia, e que o Alexandre colocou aqui em primeira mão. Pelas reacções que já acompanhei, foi um grande enorme sucesso e até já terá ultrapassado as fronteiras das Conferências. Podemos discorrer criticamente sobre o mesmo, mas o importante é que, acima de tudo, foi um bom momento de comunicação, onde fazer sorrir era o principal objectivo. A mim chega-me isso.

 

Acredito que as Conferências do Estoril vieram para ficar e continuarão a ser no futuro um importante centro de discussão e debate dos desafios globais. A Câmara Municipal de Cascais criou uma marca importante, que só engrandece o nosso país. A continuar!

 

publicado por Nuno Gouveia às 23:07
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Conferências do Estoril confirmam novas tendências na comunicação

Os bloggers Francisco da Silva (esq.), Jorge Lopes de Carvalho (dir.) e parte do monitor do portátil deste autor mais à direita/Foto: TVI24

 

Noutros tempos, não tão longínquos assim, as grandes conferências internacionais (não as políticas, mas aquelas em que se promove o debate e a reflexão), eram motivo de romaria de jornalistas que, destacados para ali, lá ficavam os dias que fossem necessários para acompanhar os trabalhos, promover conversas de corredor, fazer entrevistas, descobrir histórias e tendências de pensamento.

 

Havia disponibilidade e vontade para isso, e os jornais investiam tempo e recursos humanos para proporcionar aos leitores as correntes de pensamento e de opinião que estariam na vanguarda.

 

As Conferências do Estoril, que terminaram na passada Sexta-feira a sua segunda edição (a primeira foi em 2009), são precisamente uma dessas iniciativas que, num espaço de três dias, reuniu no mesmo local alguma da elite intelectual, académica e até política a nível mundial.

 

No entanto, e seguindo uma tendência cada vez mais evidente, já é difícil encontrar jornalistas destacados a tempo inteiro para este tipo de iniciativas.

 

As Conferências do Estoril vieram confirmar essa realidade, tendo sido difícil encontrar jornalistas presentes nos três dias, embora se encontrasse bastante imprensa no local.

 

As contingências logísticas nas redacções e, muitas das vezes, a falta de visão e de ambição jornalística por parte das chefias tem afastado cada vez mais os jornalistas destes acontecimentos.

 

A cobertura mediática deste eventos acaba por ser seleccionada, onde na maior parte dos casos os jornalistas vão atrás das cabeças de cartaz, com entrevistas já previamente marcadas. Acabam por não captar o ambiente e deixam escapar, por vezes, outros oradores de segunda linha, nem por isso menos interessantes, e que podem oferecer novas perspectivas sobre as problemáticas da actualidade.

 

Durante o almoço de Sexta-feira, no restaurante do recinto, o autor deste poleiro falava com Francisco da Silva do Adeus Lenine e Jorge Lopes de Carvalho do Manual de maus costumes, precisamente sobre essa questão, porque este tipo de conferências, tal como acontece em Davos ou em Porto Alegre, tem uma narrativa própria e só é possível percepcionar a mensagem de forma coerente quando existe um envolvimento próximo com o evento em questão.

 

Ora, hoje em dia, muitos dos jornalistas limitam-se a dar umas saltadas ao local, de quando em quando, para entrevistar um ou outro nome já previamente definido.

 

Seguindo uma tendência inversa, e a ganhar relevância na cobertura comunicacional neste tipo de eventos, os bloggers e os “repórteres” das redes sociais são presença cada vez mais assídua e organizada. A TVI 24 escreveu sobre o assunto.

 

As próprias entidades organizadoras já reconheceram as virtudes das novas realidades comunicacionais, começando a privilegiar a presença destes novos actores da comunicação digital.

 

A organização das Conferências do Estoril percebeu isso e recebeu da melhor maneira todos os bloggers, tratando-os com um profissionalismo irrepreensível, criando todas as condições para a ajudar na divulgação da mensagem do evento.

 

Como sinal dos tempos, é interessante constatar que muito dos lugares no auditório destinados à imprensa estavam ocupados por "repórteres" dos blogues e redes sociais, com os seus computadores, incluindo aqui este autor, que em tempo real iam produzindo conteúdos sobre o que iam ouvindo.

 

publicado por Alexandre Guerra às 16:06
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

ElBaradei relembra as dificuldades na “gestão" da Revolução 25 de Abril para explicar os desafios que os egípcios têm pela frente

Mohamed ElBaradei, esta tarde, próximo do encerramento das Conferências do Estoril 2011

 

Mohamed ElBaradei, Prémio Nobel da Paz e antigo director da Agência Internacional de Energia Atómica, relembrou a Revolução 25 de Abril para dizer que, tal como aconteceu em Portugal, também no Egipto o grande desafio será o período pós-revolução.

 

Naquilo que considera ser a “gestão da revolução”, Elbaradei mostra-se cauteloso, porque está ciente das dificuldades que os egípcios têm pela frente.

 

Para o Nobel da Paz não basta “espoletar” a revolução, porque, provavelmente, o mais difícil será encontrar um caminho sólido para a democracia.

 

“As pessoas não se tornam democratas de um dia para a noite”, reconhece ElBaradei, que, no entanto, se congratula com o comportamento pacífico dos egípcios durante todo o processo de deposição do regime.

 

Regime esse que, na opinião de ElBaradei, geriu a situação de forma lamentável, tentando oprimir o movimento das ruas.

 

Para ElBaradei, um dos factores que podem ajudar o actual processo de transição tem a ver com o papel desempenhado pelo Exército, que se juntou à população, mantendo a ordem e evitando que as pessoas fossem reprimidas com violência, tal como aconteceu na Líbia.

 

publicado por Alexandre Guerra às 18:33
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